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Saturday, June 16, 2007

De Olhos nos Olhos


De Olhos nos Olhos
De olhos nos olhos poderia dizer-te, contar-te, as minhas baladas adornadas de sinceridade,
Sei que, embora custoso, aguentarias o meu olhar carregado, feito de dúvidas carregadas,
Dúvidas, de que, por vezes, eu não sou eu.
Possuo tantas coisas para te dizer, que nem sonhas existirem essas coisas.
Emoções! Um vastidão delas. Sonhadas. Pensadas. Sentidas.
Não permitiste que eu me explicasse. Hoje, sinto-as vazias. Penso-as submetidas num nada.
Ausentes em mim.
Decadentes porque emperraram o sonho, emperraram o deslumbre. Emperraram a Amizade.
Olha, no meu olhar não consigo falar-te. Não! Empancaram em um paredão do sentimento.
Ficou tanto para conversar. E, era puro. Era trasparente. Não magoava. Não causava ferida.
Não se prolongava para lá do limite convencionado. Exigido.
Ficou na pausa do aparelho sonoro da balada. Era linda.
De olhos nos olhos sei que nunca me explicarás o silêncio da tua Alma. Do hino do coração invisível. Do coração como nunca conseguirei explicar. Sabes por quê?
Porque tu aguentarias o meu olhar.
O resto? Fica registado em mim, por não entender. Por nunca entender. Por que haveria de
entender?
Eternamente lembrado, porque tu nunca me explicaste. Nunca te sentiste verdadeiramente.
Agora, fica num heterónimo de mim. Somente. Ignorado. Ausente. Com a alegria que me habita.
De olhos nos olhos nunca os baixaria, porque tu também não.
A despedida, essa, é uma perca de tempo por morar na terna amizade. Na Amizade! No meu eu.
Dir-te-ia tudo, olhos nos olhos!
A iniciativa pertence-te. Deslumbra, porque é tua.
Mora no Tempo infinito do olhar. Expressivo.
Teu.


Pena, Junho. 2007. "De Olhos nos Olhos"