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Campanha do Agasalho 2009

Saturday, January 09, 2016

A Magia do Senhor Gonçalves!

A Magia do Senhor Gonçalves!



Será que ainda se lembram do Senhor Gonçalves, pretenso Benfeitor de nós. Aquele que disse, tentando mostrar a sua sabedoria nos “esgotos” de minha casa.
Sim! Ele sabe tudo. Resolve tudo. Barafusta por tudo. Veste cuecas azuis do ano novo segundo a tradição. A muito custo, diga-se de verdade. Pede sigilo ao mais alto nível.

Hoje, acordei bem-disposto. Muito feliz.

Quando me preparava para levar o “Leite” à minha cara-metade, “barrou-me” à minha passagem por ele. Aos berros, virou-se para mim. Disse irado: - Você que não sabe nada de nada, escondeu-me a minha receita médica para tirar uma radiografia urgente no Hospital. Tenho a certeza. Foi você que não sabe nada. Mesmo nada. Estava aqui mesmo à bocado.

Fiquei perplexo e, com calma, disse-lhe que não tinha motivação, nem interesse em tirar-lhe “aquilo”. A bons modos, ripostei, preocupado: - Oh, Senhor Gonçalves procure bem. Eu não tinha interesse algum em tirar -lhe “isso”.

Ele foi peremptório: - Não minta só podia ser você? Não faz nada de jeito. Não sabe nada de nada.

Depois, de preparar o “Leite” à minha cara-metade e, primeiro tomar o meu. Coloquei-o numa bandeja. Subi as escadas. E, fui ter com aquela princesinha de que tanto gostava. Para mim, era majestosa e muito bela.

Perfeita. Uma delícia olhá-la. Lembrava-me uma “Pérola Preciosa” encontrada há muito. De um valor imenso. De uma beleza de Deusa. De uma ternura de miúda maravilhosa.

Quando me preparava para lhe dar um beijo convincente por ser o meu único amor de sempre. No fundo das escadas escutei um grandioso “tumulto”. Fui ver, apreensivo.

O meu estimado sogro e saber de tudo, gritava “a plenos pulmões” que só podia ter sido eu. Fora cometido um furto. Um grandioso furto.

De novo expliquei-lhe, com compreensão, que não fora eu.

Dirigia-me para a cozinha. Era para lavar a loiça do Jantar. Ficara por arrumar.
Foi, então, que naquela casa se sentiu um silêncio total e benfazejo.

O meu sogro encontrou por trás da mesa da entrada a sua receita que caíra para trás deste mesmo móvel.

Disse-me, mais calmo: - Não foi você, mas poderia ter sido. Você não sabe nada de nada.
Suspirei de alívio. À tarde levá-lo-ia ao Hospital para tirar a radiografia.
Colocou-se à porta de casa, não querendo comer. Desejava ir de imediato ao Hospital. Tinha a receita. Com compreensão. Com animosidade disse-lhe que era meio-dia, podia esperar um pouco mais. O exame era só às quinze horas. Tinha tempo.
A muito custo lá comeu uma sopa. Foi para ao pé da porta de novo. Exclamou, para mim, se ainda demorava muito senão ia a pé os 10km que nos separava do Hospital. Era muito longe.
Rezei a Deus para lhe dar bom senso, porque não desejava esperar 2 ou 3 horas no Hospital para ele ser atendido. As minhas palavras foram escutadas por Ele. Esperou um pouco mais. Só dez minutos e depois tínhamos de ir. Disse-me, com arrojo e alegria que sempre fora muito pontual em todas as situações enfrentadas.
Tínhamos que ir. Ainda disse que eu nunca tinha sido pontual na minha vida toda até ali.
Via-se mesmo. E, que não sabia nada de nada. Irado, ainda referiu que fora eu que a escondera atrás do móvel. Para ele nunca mais encontrar a receita. E, assim, não fazia a radiografia.
Preocupado com as atitudes dele, dei a volta ao carro no largo da nossa casa e disse-lhe, amavelmente, que entrasse. Disse algo impercetível e demorou cinco minutos até estar devidamente dentro da viatura e com o cinto de segurança que não queria por, colocado. As “modernices” não eram com ele. Emitiu ainda alguns impropérios que não percebi.
Durante o trajeto até ao Hospital disse-lhe que esperasse por mim na primeira sala de consultas que eu poria os médicos a par do que acontecia com ele. Fui arrumar a viatura convenientemente num parque de estacionamento esgotado totalmente e quando o estacionei e cheguei ao local combinado com o Senhor Gonçalves, nem vê-lo.
Perguntei, ainda se o tinham visto, ao que me responderam que falava sozinho e já devia estar no local da radiografia que iria tirar. Disseram-me que o local era na Oncologia e que devia acompanhá-lo. Ir ter com ele o mais depressa possível.

Desejava mostrar-me que eu não servia para nada e, por isso, foi andando. Eu temia perdê-lo e nunca mais encontrá-lo ali.

Quando cheguei ao piso de Oncologia lá ia ele, arrastando-se como podia, nada escorreito e, muito lentamente, ao encontro do local onde iria tirar a radiografia. Ao ver-me exclamou: - Que vem fazer? Como chegou até aqui? Admira-me porque não sabe mesmo nada de nada. Se eu não tivesse esta bengala, não me ajudaria porque cairia com estrondo no chão.
Disse-lhe que jamais faria tal coisa. Pela primeira vez vi-lhe um sorriso na minha direção, disfarçado de alegria.
Duas horas decorridas de espera, foi chamado por um senhor muito simpático que me disse que o podia acompanhar.
Tirou a radiografia, contando, infantilmente, a sua vida toda e foi necessário dizer-lhe que agora teria de ficar caladinho. Quando terminou, acerquei-me do médico e perguntei-lhe se se podia saber o resultado. Respondeu-me que não. A radiografia e o seu relatório iriam para a médica de família dele. Quando iniciamos o percurso até à saída dali, enganamo-nos e fomos parar até ao piso de Oncologia subindo inúmeras escadas. Ficou exausto.

Disse-me que eu não sabia nada de nada em todas as atitudes que tomava. Acrescentou que estava muito cansado e que eu devia estar mais porque fui na sua frente apenas para indicar o caminho errado como há pouco. Só não queria era tomar o elevador porque tinha medo que ele caísse, disse-me, insatisfeito e carrancudo.

Chegamos ao carro. Decorreu imenso tempo até lá. Eu entrei e abri-lhe a porta do lado do condutor para ele. Após, dez minutos de tentativas, lá entrou sempre dizendo impropérios deselegantes e grosseiros até ficar sentado ao meu lado. Notava-lhe uma respiração forte. Intensa. Dificuldades em respirar. Senti pena dele. Perguntou-me, ofegante e com receio de que eu me apercebesse da sua fadiga: - Então, isso não anda? Vamos embora que se faz tarde! Coloquei o carro em marcha, sem hesitações e em breve estávamos em casa.
Eram por volta das seis horas da tarde e já era noite. Fui buscar um cesto de lenha e acendi a lareira para ele se aquecer. Disse-lhe que tivesse cuidado e não metesse muita lenha de uma só vez. Fez "orelhas moucas" e passado um bocado gritou como se faz no Douro nas vindimas e se acaba de cortar as uvas e o balde ou cesta estão cheios, grita-se: CESTA! Ele fazia o mesmo comigo e berrou: - CESTA! - E, lá ia eu buscar mais lenha.
Concluí: - O Senhor Gonçalves até era um bom homem, mas sofrido pela vida. Lutara uma vida nas “cepas” do vinho e tivera um trajeto complicado e custoso. Foi para França “a salto” e trabalhou, trabalhou e trabalhou.

Como eu o compreendia.

Foi um episódio marcante ontem mesmo. Para toda a minha vida.
À noite dei-lhe um beijo na testa e pedi-lhe desculpa pelas minhas inconveniências e incompreensão com ele.

Sorriu para mim, como nunca o havia feito, de felicidade e alegria.

Ainda disse: - Você não sabe nada de nada, sabe?
E, quando foi dormir, vi que ainda usava as cuecas azuis da passagem para o ano de 2016 de que não se desfazia delas em nenhuma circunstância da vida por agora. Nem pensar.

Sorri para mim. Iria ajudar aquele senhor até mais não puder.

Diz-me muito!


António Pena Gil  Janeiro 2016

Wednesday, January 06, 2016

Como sou sensível, meu Deus?

Sempre fui uma pessoa muito sensível. Imenso.
Não será muito bom. Lido com as pessoas. As pessoas evitam-me.
Carrego na minha “maleta”, todos os dias. Sentimentos do Mundo.

O meu restrito “Universo” deles.
Se não fosse assim. Seria outro Ser qualquer perdido de si. Da magia “explosiva” de uma existência sem nexo.
Gosto de ser assim. Morreria se não fosse assim. Como uma estrela estrelada pertença do firmamento. Belo. Terno. Visível. Apaixonante.

Quase a perder-me. Vejo silhuetas que me apontam o seu dedo sabedor. Por ser assim. Não o devendo ser. Gostava de ser como elas, as pessoas, prontas na crítica mordaz e insensível. Dizem-me que não devia ler e escrever assim. Tanto. 

Sobretudo ler e escrever sentimentos. Que possuo. Com que vivo todos os dias. Sem eles ao pé de mim. Constantemente mal olho essas pessoas recriminatórias do que sou.
Seriam capazes de ser como eu? Sim! Sei que não sei nada. Mesmo, nada. As silhuetas da vida preocupam-me. Imenso. Escapam-se. Quando passo ao pé delas.

Resolvo-me a Inquiri-Lo na Sua presença sensata. Sóbria. Extraordinária: - Oh, meu Deus, posso ser assim como sou? Há tempos confortaste-me. No Teu semblante de perfeição. Disseste-me que era maravilhoso ser assim. Pensas ainda assim?

Ouviu-se um silêncio pesado na minha casa deserta. Estava aflito. Fechei todas as portas. Fechei todas as janelas também. Tudo!
Alguém podia ouvir-me dizer que sou sensível. Alguém desconhecido e sem “papas na língua” poderia dizer que a sensibilidade era para as mulheres e fazer sentir-me mal. Muito mal.

Apesar de ser homem, muito homem, sou assim. Precisava de abrir a “cabeça” e tirar o meu eu sensível. E, depois, “moderar” o que sou.

Não dizer nada ao lado deles.
Sabem, continuaria sensível com sentimentos importantes e fascinantes para as pessoas que gostam do que sou.

Ontem fui visitar um amigo. A casa estava repleta de cães agressivos. Daqueles que podem matar. Num segundo. Sem darmos conta sequer.
Consegui apaziguá-los. Quando ele acedeu à porta, muito escorreito perguntou logo: Vem com sentimentos. É que não estou para o aturar, sabe? Já “varreu” de si a sensibilidade?

Sorri. E, corri, a chover, para casa. Não falei com ele de sentimentos. Preferi falar deles com a minha família que gosta de mim. Sabem que “carrego” comigo “coisas” importantes.
O homem deveria ter ficado fulo. Irado. Porque nem lhe respondi. Ficou, com os cães para matar, com ele. Nada mais.

Coitado. Não tinha sentimentos. Nunca percebi como podia viver sem ter sentimentos. Deixei-o entregue a ele que está sozinho e sem sentimentos.
Ainda bem. Fá-lo pensar. Fá-lo fazer incongruências que o fazem sofrer. Que o fazem só. Que o fazem desprezado pelo mundo inteiro das pessoas e dos seus sentimentos.
Outro dia veio cá. Ficou pasmo com o tratamento sublime que eu e a minha família o congratulamos. Falamos todos de sentimentos.
Ainda bem. Ficou feliz e a pensar, sem mais abrir a boca. Caladinho. Só ouvindo. Para meu espanto e incredibilidade.
Sou sensível. Muito sensível, sabem, amigos (as) de deslumbre?

Não! Não há nada a fazer.
Por precaução. Não vou falar de sentimentos. Guardo-os, com dedicação, dentro do que sou.
E, estou vivo. Sou uma pessoa séria, sabem?

O momento assim o exige. Com sentimentos.
Sou muito feliz assim, acreditem-me?

Há pessoas. E, outras pessoas? Muitas pessoas.
Obrigado.

Sejam felizes, sim?


António Pena Gil (Pena) Janeiro 2016




Tuesday, January 05, 2016

A Magia da Vida!

A minha família ia receber uma “preciosidade Humana” admirável.
Uma menina ansiada e desejada. Éramos dois irmãos em constante conflito.


Minha mãe sorria de alegria e felicidade. Meu Pai sorria. Só sorria com o coração silencioso. Nunca fora de dar as emoções a outro. Fosse quem fosse. Os seus sentimentos eram silenciosos e alegres, agora, detectados.
Quando a alcofa chegou a casa, minha mãe estava orgulhosa como nós todos nós o estavam também.


A minha mãe espreitou pela milésima vez a alcofa e o meu pai fez o mesmo.
Eu e o meu irmão mais velho aproximávamos-nos, cautelosamente da mesma forma.
Quando me debrucei sobre a alcofa vi uns olhos muito lindos e cintilantes. Foi como se fosse uma miragem num “deserto”  existencial  que era só nosso. De enternecer e maravilhar. Sim! A nossa vida familiar necessitava imenso de uma dádiva Dele! Aparecia agora. Aos nossos olhos atentos. Apurados. E vendo tudo. Com imenso interesse. Com imensa ternura.

Chamámos-lhe Paula. Tudo se fazia naquela casa que permanecesse em silêncio. Que reza-se a Ele. Pela beleza e encanto desta “aparição” fantástica. Que mudaria toda a nossa existência.
Até o meu irmão ficou diferente comandando a minha vida e a dele.

Passávamos todo o dia a pensar no instante de observação da alcofa e sorríamos felizes e atónitos perante tanta majestade da bebé.

Paula, era um bom nome. - Pensei em surdina só para mim.
Penso que o meu irmão conflituoso também concordou. Achou bem. Achou o nome bonito. Manifestava-se como o meu pai. Não queria chamar a atenção. Revelar sentimentos se os podia guardar para si. Era um momento muito especial para eles. Eram assim, pronto. Nada havia a fazer.

Quando senti a família na sala, aproveitei e espreitei alcofa. Olhava-me. De forma magistral com uns olhos lindos de sonhar. Cintilavam, ao mundo inteiro. Pareciam conquistá-lo. Quando sorriu fiquei deslumbrado pela sua magia de fascinar. Até era lindo o sorriso. Muito lindo. Chamei-lhe de pronto e sem duvidar: - A nossa menina. Para mim: A minha menina.

Olhei o mundo. Naquele instante perfeito e ímpar. Por ser belo.

Mal eu sabia que iria ser uma companheira minha. Para toda a vida.
Até pensaram que éramos namorados. Sempre lado a lado.
Foi encantador e enternecedor.
A “chegada” da Paula “virou” tudo em que acreditava com fervor e convicção. Seriedade.

Bem-Hajas, Paula.

OBRIGADO pela tua amizade e companheirismo agradável e perfeito.
Jamais te poderei esquecer. Nunca mais.
OBRIGADO sincero, meu Deus. Pela Tua ternura linda e fantástica!


(António Pena Gil) Janeiro 2016.




Existe Sempre Um Dia Seguinte.

Torna-se sempre difícil e complexo explicar o Dia Seguinte. Com precisão. Com a ilusão dos maravilhosos dias anteriores.
Já pensei arranjar uma bússola que me orientasse. Embora oriente o tempo é semelhante ao vazio. Vácuo. E, eu que procuro sempre o meu sentir e ser verdadeiros. Sim! Autênticos.


A vida escasseia-me neste Planeta perfeito. Sem mácula. Pertença do lindo Firmamento. Ou Dele. Com Ele sussurro. “Espraio-me” num doce existir. Falo com Ele sempre o que me vai nas ideias. Trato-O sempre por Tu. Penso não ser inconveniente para Ele na sua grandiosa azáfama em que só O complico. Falo-lhe ao coração. Sim! Com amparo e afago que jáConhece em mim. 

É o que sei só dizer. É o que sei fazer. Talvez, na busca da minha incompreensão. Na busca de um Mundo cada vez mais complexo e exigente.
Custa tanto encarar o Dia Seguinte.
Desapareceu a magia do “pinheirinho” com as luzinhas a piscar. Que me fez esquecer um pouco as estrelas lá no Alto. Pertença só Dele. Das rabanadas. Da alegria da família. Da incompreensão dos que regressaram às ruas do desencanto traçado com dureza. Da alegria do seu cheiro. Da sua beleza imensa que amamos.
Da imensa família que comporta a alegria. Visíveis. Aconchegantes. Magistrais de compreensão de nunca dizer nada. E, tudo, aceitar. Sem protestos ou proferir inconveniências.

Não! Não devia existir o Dia Seguinte.
O meu bater cardíaco acelerou. Por incompreensão.
A parafernália do mundo que corre com pressa. Com insensibilidade marcante. Sem passar pelo dia seguinte que custam em aceitar.
A magia carinhosa e repleta de encanto e ternura das pessoas não existe mais como nos dias anteriores ao Dia seguinte.
Custa imenso o Dia Seguinte.
É como o desabar da existência dos esquecidos e omissos dum mundo imperfeito que é o nosso. Tudo foi com o Pai-Natal. Com Deus que falo por Tu. Com a minha sensibilidade apurada. Que consegui detectar O seu imenso valor lindo e puro.
Sou sério. Sou lúcido. Sou uma pessoa.
Custa-me tanto encarar o Dia seguinte.

Monday, January 04, 2016

Partida do Ano de 2015 e chegada do Ano Novo de 2016


Em casa da minha mãe nunca demos grande importância ao ano
Novo.
Talvez, porque corria sempre mal.


Naquela altura do calendário era comemorado com uma fatia de bolo-rei, tentando ficar com o brinde nele existente, que diziam há muito ser sinal de boa-sorte e uma taça de champanhe.


É certo que havia uma certa agitação entre nós.
É certo que procurávamos reunirmo-nos em sua casa. Transmitia maior segurança e um certo bem-estar. O que era certo é que aquilo acabava sempre mal. Sim! Sem volta a dar-lhe.


O Natal era tudo para nós que conseguíamos, à volta da fogueira, contarmos histórias da vida marcantes e desejáveis, sem cansaço e sempre alegres e bem-dispostos.
A Festa de Passagem do Ano nunca lhe prestávamos grande importância ou riscávamo-lo do Calendário sem pena dele.
Pensávamos todos nunca vivê-lo porque as posses monetárias do meu pai e de minha mãe eram sempre escassas e, eles lutavam com fulgor e notória impetuosidade em que tudo corresse pelo melhor.
Era sempre o mesmo. Repetia-se, cada vez, que passava sem grandes melhorias. Marcávamos uma presença juntos até o sino da Igreja baladar , ao ritmo de imensos desejos formulados, comendo passas e, mais passas, inofensivas até mudar o Ano.
Eu, conversava muito com Ele. Falávamos um pouco de tudo e tratávamo-nos por Tu. Era meu amigo. Eu dizia-lhe: - Oh, Maravilhoso Deus porque não Ajudas a nossa família? Ele nunca falava. E, eu nunca compreendi essa atitude Dele.
Eu, era pequeno. Um belo rapaz aos olhos da minha mãe. Afável. Doce, compreensível com todos. Mantinha-me sempre nas graças Dele por ser assim como era.
António Pena Gil

Saturday, January 02, 2016

Crónica do meu dia anterior e do meu dia posterior de Ano Novo de 2016.


Nisto soou o rádio - despertador, não, isso já não existe, digo o telemóvel da minha cara-metade na sua mesinha-de-cabeceira. Apontava as 7 horas da manhã infalíveis. Como gosto de me levantar cedo, ergui-me do leito com pertinácia e boa-disposição, sem antes ter de galgar as escadas para o piso inferior onde estava a cozinha, sem ouvir um sonoro: - Trás-me o “leite” da minha cara-metade em voz cristalina e pura. Acrescentou de pronto: -  E,  vai ligeirinho que se faz tarde.

Eu costumava fazer sempre isto e, após ter bebido o meu “leite” coloquei, o dela, numa bandeja, com um cartão de amor e, galguei as escadas “ligeirinho” para o quarto. Quando a olhei vi como era linda. Majestosa. De pura delícia. Despertou sem uma única ruga na cara que lhe elogiei com convicção. Olhava-a com pasmo e encanto. Era um visão ímpar e majestosa. Depois de colocar a bandeja no seu colo, sorri-lhe embevecido pela sua  beleza.

Quando me encontrava nestes gestos, ela proferiu:  - Olha, temos a casa inundada. Vê se consegues ir ``às tampas” dos esgotos, desentupi-las, está bem? – O que é que devia dizer? Disse-lhe, prontamente: - Está bem eu vou lá e “ligeirinho” como ela sorria para mim sempre que dizia “isto”.

Ainda tentei arranjar umas luvas, mas ela perguntou - me se tinha problemas nas mãos. Disse que, não e, a sorrir e lá fui para os esgotos da casa.

Quando já tinha levantado uma “tampa”, surgiu-me do alto das escadas o meu inspector de obras diplomado para mandar que era o meu sogro e disse-me: - Vá buscar um ferro e faça assim e, exemplificou. Colocou-se mesmo atrás de mim e eu peguei no ferro, meti-lhe no fedor daquela caixa. Vi tubarões pequeninos lá dentro nadando, mas não fiz como ele dissera.

Berrou-me. De pronto: - Caramba você não sabe mesmo nada. Não é assim é assim.

Apesar de estar a ver o meu Inspector sabedor de tudo na minha frente, fiz, novamente o contrário do que ele me dissera, rindo só para mim. Ficou vermelho a espumar o meteu logo o ferro, depois de mo ter tirado das mãos com impetuosidade e numa revolta de incompreensão.

Disse-me, furioso:  - É assim, vê? Assim, é que um Homem trabalha. Consegui dizer-lhe ainda: - É capaz de ser uma técnica válida, mas eu tenho a minha, posso? Amuou e meteu-se em casa.

Entretanto eu prosseguia na minha técnica, aquilo ia baixando, mas não era nada como ele queria. Sim! O meu inspector de obras.

Várias vezes assolava à porta para me dizer repleto de fúria: - Não é assim. Nem amanhã conseguirá. Eu ia dizendo-lhe que era uma técnica nova que trouxera num livro que tinha encontrado no meu quarto.
Franziu o sobrolho e foi para dentro, quase a estoirar de ira e revolta. Tive pena dele e, não tendo nada a perder, disse-lhe que ele fizesse o meu trabalho.

Sorriu e dirigiu-se, feliz, à caixa do esgoto, tendo o cuidado de me chamar para me explicar, novamente. Aprovei satisfeito, mas não tendo ainda passado dez minutos ouvi um grito dele exaltado e irado, dizendo nervoso: - Telefone às entidades competentes da “Água” porque eles trariam a Máquina que “chuparia” a porcaria toda para fora dali porque a sua técnica avançada no tempo fora ultrapassada.  Virou-se para mim e não esqueceu de dizer: - Você não sabe nada.

Entramos os dois em casa. Telefonei sem êxito para a “Água”, mas ninguém atendia, pelo que me berrou, como meu Inspector das “Águas”: - Faça alguma coisa. Não sabe fazer nada, é?
Ignorei e fui tomar banho para ele não me enviar de novo para lá.
Acalmou. Eu também.

Neste dia anterior ao dia de festa, 31 de Dezembro de 2015 não me lembro de nada mais relevante a partilhar convosco. Ou esqueci? Não.
Passei um resto de dia calmo até às passas que comemos na contagem e nos sonhos realizados ou que desejávamos realizar para o novo ano de 2016.

O meu inspector também comeu. Ele que não abre mãos à sua condição de inspector da casa e benfeitor de todos nós. Os sonhos não sei se tem? Mas, tudo é de prever. Todos temos sonhos, penso eu. Em todas as idades.
Eu estava feliz por ele não poder enviar outra vez para os “”esgotos”.
Até sorri, feliz, ao lado da minha doce cara-metade. Era mesmo linda: - Pensei só para mim.

No dia seguinte, primeiro Dia do ano de 2016, correu tudo pelo melhor. Recebemos toda a família em nossa casa.
Eu disse que seria bom, para o próximo ano estarmos ali todos de novo.
Baixinho disse a Deus: - Oh, Deus, por favor, dá - nos a alegria de nos juntarmos de novo aqui. Apenas sorriu e Respondeu-me que iria fazer todos os esforços.

A minha mãe deitou uma lágrima e até terminar as festas e, depois, de “arrumar” a loiça, tivemos o desencanto de o meu senhor inspector de obras não querer vestir as cuecas azuis bem largas da tradição, dizendo que era esquisito e não as vestia de forma alguma.

Ao final deste dia lá pensou melhor e vestiu as cuecas azuis da tradição dizendo que não dissessem a ninguém. Era sigilo ao mais alto nível.
Fizemos-lhe todos a sua vontade.
E, hoje, decidi escrever sobre o vivido com emoção, no dia anterior e posterior a 2016.
Que sejam felizes, está bem?


António Pena Gil (Pena) 2015/2016.

Saturday, December 26, 2015

Estimados Amigos e menos Amigos:
Este blogue é pertença única e exclusiva
de António Pena Gil.
Qualquer plágio ou danos causados serão punidos por Lei.
Com respeito e estima.
Pensem...é tão feio e lamentável copiar.
Sempre a admirá-los.

António Pena Gil

OBRIGADO sincero e verdadeiro..

Tuesday, December 15, 2015

Que fizeram as palavras nauseabundas de mim...!

(Estimados(as) e simpáticos(as) visitantes de sonho: Desculpem a minha postura na vida...agradecia, como sempre o faço, se calhar numa atitude inconveniente, que se pretenderem comentar, façam-no lendo o texto, se tal não for possível não comentem, POR FAVOR! Nos comentários que lhes faço, lei-os todos e, só depois, opino com sinceridade e autenticidade. DESCULPEM! OBRIGADO desde já, pela Vossa preciosa paciência para comigo...Não fico ofendido, se calhar é LIXO, como um anónimo sugeriu tratar-se e, eu fico a pensar que talvez o seja, mas é meu e "construído" com tanto carinho...mesmo Imenso! OBRIGADO pela vossa linda compreensão...!) 
Quando olho, olho de verdade. Observo tudo. Com um olhar prescutador. Atento. Sensível.
Vejo em catadupa, inúmeros personagens dos meus sonhos. Sonhos fantasiados de outrora. Uma "montra" envidraçada, encantada e requintada de escritores afamados de referência.
De beleza incompreensível. Que deixam marcas. Inapagáveis.
Descubro-me dentro. Dentro do meu Ser. “L´Être et Le Néant”. Ser ou um Nada. Há muito escolhi Ser. “L´Être”.
Trata-se de manter constantemente presente e "accionado", "agil", o pensamento. Se se pára, ele cai no vácuo. Perde-se. Atinge-se o "Néant".
“Le Néant”...? Não! Não o vejo simpático.
L´Être faz viver, embora com "custos existenciais". "Le Néant" faz-nos anular a nós próprios. Sermos um "nada". Nada mais. 
“La Nausée” está sempre coabitando com o que sinto. Não me deixa em paz. Sossegado. Tranquilo. Usufruindo de Ser e do meu Ser.
"A Náusea" nunca me abandonou. Por completo.Sufoca-me, mesmo, por vezes.
Jean Paul Sartre também perdurou sempre no que sou.
Será tudo impostura incorrecta...! Não! Sou fiel a Baudelaire. Esse, o poeta maldito. “Les Fleurs du Mal” estão há beira de decapitação. Assisto. Expludo perplexo. Sem saber o que sentir.
Pessoa, Fernando Pessoa, assiste a tudo do seu camarim dourado de majistral sensibilidade poética ímpar.
Fala em versos. Enfeitiçado pela sua poesia deslumbrante por ser doce. Linda. Única... Imortal. De maravilhar e deliciar! Comodamente "sentado" no tempo. Num pedestal mágico, de sonho. Incrédulo e esfregando o olhar perante tanto absurdo. Tanta exigência. Tanta insensatez imperfeita de prefeição.
Sempre foi o melhor poeta sonhado. Entre os melhores. Ele sabe-o.
Eça sorri dos seus "Maias" Perfeito, na altura e sempre! Que "ficou" para durar pelos tempos fora.
"Sentiu" um tempo e impôs-se com naturalidade pelo génio. Pelo talento. Pela enormidade do seu imenso carácter. Intocável . De gerações entre gerações que o adoram e idolatram. Importante de discernimento. Atitude impensável, não o relembrar.
Não vejo nada no André Bréton. O eternizado surrealista. O percursor desta corrente do pensamento. Nada, mesmo. Apenas, inconveniência ultrapassada. Nada comum.
Eu sei...! Está bem. Apreciam-no. Eu acomodo-me, simplesmente. Já nada me diz ou diz-me algo...??? Sei lá. Já nada sei. 
Albert Camus "vive". Aguenta-se bem, apesar do existencialismo ser de uma determinada época. Um sentir. Uma corrente do pensamento vivificada com sucesso e, insucesso também, surgida em França com inúmeros seguidores. Impôs-se. Deixou "mossas incuráveis" nas pessoas que os leram. A juventude perdeu-se ou não....?
Sartre e ele estiveram muito tempo desavindos. Emitiam cartas sempre insultosas. Publicadas em jornais da época. 
Tudo se recompõs. O romance Simone de Beuvoire com Sartre acabou em felicidade.
Sucumbiu a "Idade da Razão"....! A falsa liberdade. A privacidade do Ser. A liberdade impossível a dois. O casamento. 
Conheci o "Les Deux Magots" em Paris. Um sonho. Onde os debates, as conversas, as tertúlias sonhadas ganharam vida, onde as obras, "nasciam" como por atitude mágica.
Não fiz mal nenhum ao “Mito de Sísifo”. Sim! Nada. Vivifiquei-o só e apenas. Como “L´Étranger”!
Um “Estrangeiro” do que penso. Do que sou.
Que fizeram de mim...?
Eles que se entendam. Eles que solucionem o insolucionável perante o meu "existir". Já são “crescidinhos” e, apesar de já terem "partido" podem fazer o "diagnóstico" apurado de saber o que fizeram comigo?
Não! Não vou inquiro-los, não!
Sou capaz de não me entender. Sou capaz de não me solucionar. Sou capaz de não me conseguir "diagnosticar". Sou capaz de não poder fazer absolutamente nada. Não tenho estas apetidões para comigo. Em mim. No que sou. Não possuo: nem o poder. Nem os actos. Nem a insensatez. Nem a insobriedade do meu carácter que me tornou assim. Como sou. Apenas e, só, sou assim, entendem...?
Fizeram inúmeros “estragos”comigo a assistir. Perfeitos. Comigo presente. Que desejava “disparar” a minha juventude num assomo de “existir”.
Kafka. Um verdadeiro absurdo dele. Da existência. Teve Arte. Um Homem/Mosca ou Aranha com tentáculos que me agarram. "Puxam-me". Completou o erro em que eu cai. “A Metamorfose” fez, o que tinha a fazer.
Atirou, a matar. Fez a “autópsia”e sorriu. Triunfante de si. Vangloriou-se. “Vestindo-se” do inigmático K. Que me disse tanto e já não me diz nada.
“Bati no fundo” do Enorme “Oceano” das palavras...Thomas Mann acena-me...nunca lhe responderia ao cumprimento...Jamais...!
Escreve letras, palavras, em papéis...!!!
Que fizeram elas de mim...?
Abro um sorriso encantado à doce magia do “Exupérit”. Sim! Do “Le Petit Prince” ...
Sim! Havia mais...muitos mais...? Muitos Mundos. Muitos sentires.
Que hei-de fazer do sonho...? Do que sou...?
Que fizeram eles de mim...?
Hoje, sussurro-me apenas. Nada mais...!
E, existo e vivo desse sussurrar, sim...? Sobrevivo...!
Que fizeram as palavras nauseabundas de mim...?
Existo...! Não é verdade...?
Pena
Feliz Natal.
Quero vincar bem que este blogue pertence a António Pena Gil 
Quaisquer plágios são feios e serão punidos pela Lei.
Pena. “Que Fizeram Eles De Mim...!”. Fevereiro.2009. Dia 27. 22h45m.

Saturday, November 21, 2015

Carta a Deus, perante o Inferno de Paris!


Costumo escrever sobre os meus alunos, agora Tu?
Oh, meu Deus, O que fostes permitir?
Enganaste-te de certeza, mas ao menos Estavas lá.
Oh, Deus que foste fazer? Apesar de constatares aquilo muito mau, muito feio, muito triste, acredito em Ti.

Sempre Me destes notícias de mim.
Sabes, ainda gosto de Ti. Gostarei sempre, mas que deixaste acontecer?
Cresceste. Tornaste-te um adulto. Um “grande” que foi educado pelas tuas boas intenções e decisões.
Tu, sabes o que os “grandes” fazem?

Oh, Deus, como é possível? Explica-me as Tuas asneiras? Estás doente sem fala, não é?
Não se faz isto! Mesmo Adulto sinto e eles sentem que gostam de nós com amor. Acreditavam em Ti.
Reza, amigo Deus. Em todas as línguas do mundo, sim?
A tua força é imensa. Poderosa. Majestosa. Então que lhes fizeste, oh, Deus? Mesmo um menino pequenino quer saber, perdeu a mãe, sabes! Como outras p3erderam os filhos. E, agora, Deus?
É preferível Seres pequenino. Aí podes tropeçar, rasgar as calças, seres tu próprio. Fazer disparates.
Olha, podemos os dois fazê-lo, se Tu quiseres. As asneiras, sim?
Tu, que compras para eles guloseimas em segredo. E, Tu comes também.
Sim, sei porque me fizeram um sinal, devias saber fazê-los sem disparates.

Sei que És bom. Sê pequenino. Asseguro-te que os guardarás no Teu coração.
Os que se “foram” não mereciam. Oh, Deus, Tu não os protegeste, porquê?
Tens muito que fazer, meu Deus?
Oh, Deus, aqueles que “foram” guarda-os no teu coração, sim, Deus?
Porquê “aquilo”? Deus estava por perto, mas não pode, não conseguiu entender. Devia estar atento. Eles iriam desistir, se Tu os visses.
Desculpa. Vou rezar contigo, está bem, meu Deus?

Sim! Rezar pelos que “partiram”. Eles merecem-no.
O que de “tanto” Podias fazer por eles, desculpa, meu Deus.
Não te esqueces-te, mas a tua distracção, o teu afago, todos gostam: grandes e pequenos, sabias?
Acreditam em Ti, pequeninos e grandes, sabes meu Deus?
Sei bem que o bem estava perto de Ti e nada fizeste?

A distracção não é argumento, sabes, maravilhoso Deus.
Sim! Está bem, aconteceu, mas, Deus, não podiam ter acontecido? Percebes?
Oxalá, não se repitam. É que depois, Deus, enfureceu-se, sabes?
E, depois, tudo treme e balança. Faz que Tu mereças a Tua eterna protecção a quem confiam as suas vidas crentes, sabes, Deus?

E, Tu falhaste. Distraíste-Te, não foi, oh, meu Deus?
Vamos rezar muito. Mesmo distraído gosto muito de Ti.
Todos gostam, não Te preocupes, sim, meu Deus.
A distracção não voltará a acontecer, está bem, meu Deus.


Carta a Deus pelos atentados em Paris

Friday, July 03, 2015

Como o Silêncio Ma “Fala””…Torna-se aconchegante…Num Harmonioso “Sentir”…Mágico Ao  Meu Olhar…!

                       Prefiro silenciar-me perante o silêncio.

Vagueio em mim na sua pacatez e tranquilidade que me abraça e me conquista.
Consigo escutá-lo com admiração. Escuto-o atentamente embevecido e maravilhado ao comprendê-lo, ao senti-lo, ao vivê-lo em mim.
Quando olho a sua presença suspiro e pasmo.

Tanta quietude vai nele. Tantos instantes vazios no meio de um tudo sentido.
Oh, se eu pudesse pô-lo a contar as histórias que quero contar?
As minhas histórias que não devo contar, pois,  abarcam  a intimidade de mim. Não devo contar porque são minhas. Totalmente minhas. Pertencem ao meu Mundo pessoal.
Este silêncio que não consigo discernir fala-me da amizade e com amizade.
Este silêncio faz-me pensar. Faz-me recuar no tempo ao encontro de um eu desconhecido porque é e, será sempre, o silêncio de uma criança eterna que fui e quero ser recordado nos instantes de soberbo encanto. E que deslumbra? Gosto de contar tudo o que possuo em mim constrói momentos inabordáveis porque serão sinceros.
Autênticos.
 E que vivem no seio da importância porque elevam-nos e, desejam saber a infância

imponente que quero recordar.

António Pena Gil   Verão 2015