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Tuesday, June 08, 2010

Recordações de Infância: Fui Atropelado. Penso Que Na Infância Existe Sempre Algo Assim ou Não? Eu Fui…!Coitado do Carvalhinho de Matos Torres!



Na minha turbulenta infância tudo corria mal para mim. Fui atropelado! Atropelado por um respeitador cidadão que conduzia muito bem. Não estou a brincar conduzia mesmo muito bem!
Tudo ocorreu quando o crepúsculo se punha já, no distante e belo horizonte. Ocorreu, mesmo defronte da enorme janela de casa da minha avó, na Avenida Marginal que me lembro tão bem e dava cor à cidade de Vila Real.
Dali divisava-se o rio Corgo lá ao fundo, as suas margens e a ponte de ferro. Aquela janela tinha servido para nas tardes sossegadas de Verão contarmos os carros que passavam e anotar as suas marcas e as suas matrículas. Contávamo-los marcando um traço quando passavam. Podíamos no final do dia emitir os seus “Livretes de Propriedade” fingidos se tais nos fossem pedidos, como numa verdadeira Repartição para o efeito.

Verdadeiramente só sei que era ali que passávamos grande parte do nosso tempo, ainda por cima com a aprovação sincera da minha avó Maria que se embrenhava nas malhas, na lã ou nos novelos, vigiando-nos. Lá pensaria que não éramos de confiança.
Olhava-nos demoradamente por cima dos óculos, sorria e aprovava.
As preocupações e desconfianças da minha avó eram bem justificadas.

Fora dali que a minha avó presenciara o meu atropelamento.

Tínhamos ido brincar, mesmo defronte do nariz dela.


De súbito, perdi a calma, eu que a tinha até em demasia e atravessei a estrada a correr sem antes observar se o podia fazer. Foi o suficiente!

Um automóvel que circulava de forma atenta e prudente e passava ali, PUM!
Acertou-me em cheio. Voei uns dez metros pelo ar e aterrei no alcatrão, sem contemplações.

Toda a gente acorreu aflita e aos gritos. Todos menos eu! Levantei-me e vislumbrei a minha avó reclamando uma ambulância.” - Não é caso para tanto! Afinal não morri! Estou vivo e aqui!” – Pensei para mim próprio.

Vejam lá, foram incomodar o meu pai, entretido a jogar “dominó” no saudoso café Excelsior, presentemente inexistente não consigo entender o porquê, onde já o meu avô marcara assídua presença.
O condutor do automóvel permanecia ali inconsolável. Meu pai que havia chegado, compreendeu de imediato a sua preocupação e calmamente, como era seu hábito, disse-lhe, com clareza e bons modos que prosseguisse a sua viagem, pois, a culpabilidade do senhor era nula e ele trataria do assunto. A muito custo, meu pai lá conseguiu que ele partisse.
Meu pai, que era um bom pai. Acercou-se de mim, pegou-me ao colo, meteu-me no carro e levou-me para o hospital, sempre sorrindo e animando-me com convicção que felizmente, não acontecera nada de grave.
Meu pai compreendia-me totalmente! Não sei se queria voltar ao “Dominó”, pois, não gostava que o incomodassem.
No hospital fui observado e fizeram o diagnóstico: Era o que eu queria ouvir! Uma semana sem ir à escola!
Chegados a casa, meu pai deitou-me na cama e aí permaneci dolorido e esperançado de que uma semana de molho curaria todos os males, mas também que não aturaria os professores, nem as suas palavras de repreensão constante durante todo aquele tempo estipulado.
No dia seguinte, quando acordei doía-me tudo. Permaneci deitado o dia todo.
Subitamente, bateram à porta.
Era o Carvalhinho de Matos Torres. Eu tratava-o assim. Tratava-o sempre assim, pelo seu nome todo.
Trazia chocolates, doces, pastilhas elásticas e tudo o mais que comprara para me presentear.
O Carvalhinho de Matos Torres seria a minha vítima! Escolhi-o porque estava doente e apesar das melhoras decidi que estava muito doente.
Se o que ele me trazia era porque estava muito enfermo, então, o meu restabelecimento duraria não, uma semana, mas duas.
Todos os dias me levava doces, bolos e chocolates e me perguntava se estava melhor, ao que eu respondia que ainda sofria muito e que aquilo tudo que ele me levava ajudava bastante na minha convalescença.
O rapaz ficava preocupado e acorria com presentes a toda a hora.
Foi, então que a minha mãe detectou a farsa e o meu desplante face ao Carvalhinho de Matos Torres.
Proibiu-lhe a entrada em nossa casa com determinação e, concluída que fora uma semana, “enxotou-me” em direcção à escola.
Tinha terminado a minha doença! Tinha terminado o meu sofrimento! Sempre admirado e, incompreendido pela atitude e pelo gesto de minha mãe, pedi desculpa ao meu amigo e jurei nunca mais brincar com as doenças e portar-me bem em relação ao estado de saúde das pessoas.
Tinha aprendido a lição na sua plenitude!


Pena
08.06.2010

Espero que gostem. Tudo faço para ter algum sucesso aqui.
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“Potes” de Abraços e Beijinhos de amizade.