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Campanha do Agasalho 2009

Friday, March 30, 2007

Pedagogia Oriental


" O Professor ajuda-te com gentileza a abrir a porta, mas tu entras sozinho..."
Filosofia Oriental
Pena. Na Vila de Caminha.Março.2007

Thursday, March 29, 2007

Uma Espera Feita de Amor

Uma Espera Feita de Amor

(Carta dirigida ao meu irmão João, sempre atento e solidário nas horas intermináveis de dor)

Eu e a minha formosa Dina chegamos ao Hospital muito cedo.
Esperamos e esperamos.
Nisto ouviu-se o nome dela através de um altifalante, quase imperceptível, dissimulado numa parede alva muito escondida, por entre o sussurro dos inúmeros utentes doentes.
Iam-lhe espetar o que eles chamam de anzol!
Acompanhei-a até ao local e, sinceramente, não vi ninguém armado de uma cana de pesca.
Pensei, depois de dizer que a amava, que talvez se tivessem enganado e fosse um

arpão.
Provavelmente, lá dentro existiria água para explorar o seu fundo, que estaria repleto de espécies aquáticas, talvez mesmo perigosas. Esperei a minha amada e tua simpática cunhada, penso eu, cerca de dez minutos bem contados com precisão infalível, sem contar com cinco, em que saí para fumar um cigarro, que teimosamente não me larga.
Regressei.
De repente, entregue aos meus pensamentos que me encontrava porque penso muito, vislumbrei-a a sair com o mesmo vestuário com que entrara, totalmente seco.
Introspectivamente, pensei com os meus botões mais sossegado, que não estava molhada e não fora atacada por nenhum peixe mais descarado, mas que lhe haviam espetado um arpão na mama.
Duvidei, mas não fui apalpar para me certificar. Não seria correcto da minha parte!
Afinal fora pescada!Confesso que fiquei um pouco atrapalhado, mas pensei que talvez fosse necessário e não lhe demonstrei a minha inquietação. Íamos agora para o bloco operatório.
Sosseguei-a ternamente, pois não fora na minha, e dirigimo-nos para lá.
Quando chegamos, quase entrei com ela para o bloco, se não fosse uma determinada médica me informar que não podia ultrapassar ou pisar um risco marcado no chão. Não!Não estou a brincar!
Estava lá um traço marcado no chão, se quiseres um segmento de recta com princípio e fim e tudo, como diz o meu exigente e sabedor, Seixas, com quem trabalho.
Ai de quem passasse o segmento de recta!
Se calhar seria logo operado a qualquer coisa, sem haver necessidade.
Recuei de imediato!
Depois, de dizer que a amava, outra vez, fui para a sala de espera.
Todas as doentes choravam ali, menos a minha amada, corajosa que é e, tua simpática cunhada, penso eu.
Lá dentro só diziam piadas.
- Esqueci-me do aparelho de limpa pára-brisas.
Era o comentário mais utilizado pelos médicos.
Disse cá para mim, que aquilo era correcto. Havia que acabar com o choro!
Além disso, aquele aparelho para os olhos era bem pensado. Ao mesmo tempo, moí os meus pensamentos e conclui que algo de estranho se estava a passar ali. Primeiro, um anzol. Depois,um arpão.
A seguir um limpa pára-brisas. Seguindo-se de um segmento de recta que o Seixas exigiria com rigor.
Decidi, que aquilo não era conversa para mim e, por isso, chegara a hora de fumar outro cigarro.
Saí.
Ainda escutei um silêncio súbito, o que reforçou a minha vontade de fumar.
Quando, cheguei lá fora, aspirei uma longa fumaça para me recompor da insólita e algo estranha sensação motivada pelo que presenciara. Apetecia-me uma sopa. A sério uma sopa e não podia esperar.
Estava a ficar maluco e uma sopa era capaz de me acalmar.
Ganhei coragem e desci ao bloco operatório.
Sem pisar o segmento de recta marcado no chão, digno de um traço rigoroso do meu competente e amigo, Sr. Prof. Seixas, deixei o número de telefone e a minha simpatia a um diligente e atencioso enfermeiro,que me avisaria logo que a minha amada e, tua simpática cunhada, penso eu, saísse.
E, lá fui comer a sopa.
Quando, estava com a sopa à minha frente, mais tarde, o meu telefone tocou e o enfermeiro comunicou-me que podia ir buscar a minha amada.
Haviam decorrido 45 minutos. 45 minutos!
Não pude acreditar!
Apesar de triste por ficar sem comer a sopa, fiquei contente por tudo ter corrido bem e sem problemas com a minha querida amada, naquele estranho Hospital aos meus olhos.
Quando, cheguei, depois de uma verdadeira corrida como tinha efectuado, digna de um valoroso estafeta de pizas sem moto, olhei-a com a mais profunda ternura e beijei-a.
Senti que naquele instante era capaz de beijar todo o Mundo!
Como também não podia beijar o enfermeiro, pedi à Dina que o fizesse e ela fê-lo!
Sem pisar o segmento de recta, a minha amada ia sair, mas numa cadeira de rodas.
Não gostou e disse que iria a pé.
Surgiu uma situação confusa porque a encarregada da cadeira disse, que se não o fizesse,ela perderia o emprego.
Só sabia empurrar cadeiras de rodas que era o seu ganha-pão.
A Dina ficou convencida e fez-lhe este favor, porque se tratava de um favor.
A senhora sorriu e lá fomos.
Implicou comigo por chegar atrasado ao pé da minha amada e, disse-me que se fosse o marido dela, quando chegassem a casa dar-lhe-ia umas chineladas valentes. Calei-me, não por medo, mas por me ter esquecido do carro para levar a minha amada.
A cumpridora de leis hospitalares só deixaria a minha Dina, quando entrasse para o carro.Se o fizesse, seria despedida!
Tremi, sem soluções à vista, para mim e para ela.
A minha amada salvou-nos aos dois! Inventou um carro abandonado, naquele Hospital estranho e, a senhora, depois de torcer o nariz deixou-nos ir.
Suspirei de alívio!
Poderia regressar à minha sopa, sem segmentos de recta, sem o Seixas, sem os arpões, sem os anzóis e sem os limpa pára-brisas.
A minha amada comeu um queque, tomou um café e, para meu espanto e admiração, fumou um cigarro.Tudo correra maravilhosamente!
Agradeci a Deus!A minha apreensão inicial, talvez, não fizesse sentido!



(Dedicado à minha doce e terna Dina com um AMOR fervoroso)


Foi transformar a dor, pela Alegria e Sentido de Humor
Pena, 2006. Durante um ano angustiante de vindas e idas ao I.P.O. do Porto


A todos Obrigado!

Wednesday, March 28, 2007

Um Amigo

" Se um dia lhe der vontade louca de chorar...
Chame-me.
Não lhe prometo fazer sorrir,
mas posso chorar consigo."

Autor desconhecido.
pena. Com sentimento.Março.2007

Tuesday, March 27, 2007

SEM TÍTULO...


Por amar as pessoas, peço desculpa por não gostarem da noite!
Às vezes, toca o telefone...
Pena, emocionado. Março 2007

Dedicatória à Noite


Dedicatória à Noite

Um crepúsculo de deslumbre, já há muito se dissipou no horizonte.
Ganho tempo. Muito tempo. A observar a noite. As suas sombras inconfundíveis.
Fantasmagóricas, por vezes, mas que me preenchem por completo.
Presentemente habito a noite. Moro nela. A noite alberga-me. Acolhe-me. Abraça-me.
Os ponteiros dos relógios pararam há muito, para mim. É tarde, não vejo como.
Sinto que vai ser mais uma noite branca. A escuridão acolhe-me no seu seio de ternura.
Essa escuridão de que falo e sinto, provoca-me uma angústia enternecedora que se suporta aprazivelmente. Conquistou-me. Enlaçou-me. Absorveu-me. Fez dar vida às palavras. Aos actos. Ao ritmo cardíaco de existir. Faz pulsar forte o coração. O pensamento. O que vai em mim. Não admite, não consente, a fadiga. A eterna fadiga!
Olho à minha volta. A escuridão alumia-se por entre uma melodia e uma lâmpada acesa.
Olho, de novo.
Sinto necessidade de dar vida ao sonho. Belo. Incontestavelmente, belo! Sentido. Vivido.
Costumo mimar a noite. Falar-lhe ao ouvido carinhosamente.
Costumo nunca faltar à noite. Não! Nunca lhe faltei. E, ela a mim! Nunca!
Angustia-me pensar, sentir, um dia fazer-lhe algum mal. À Noite!
A noite reflecte o que sou! Partilho com ela, com a sua imensa escuridão, a melodia encantada da vida. De viver. De viver dentro do sonho!
Sem a noite, morreria! Morreríamos todos, creio. Mas, eu principalmente!
Morreria por não suportar a dor. Intensa. Sofreria, até sucumbir nos seus braços de acolhimento e amparo estendidos maravilhosamente para mim.
Braços doces. De magia.
Que enfeitiçam. Que nos faz sonhar. Sonhar o possível. Sonhar o impossível.
A noite fala-me. Diz tudo. Tudo o que lhe vai. Tudo o que me vai.
A noite dá vida à vida!
E, eu não prescindo dela.
Quatro paredes. Uma melodia terna. Uma porta. Um lápis. Um papel. Uma lâmpada.
A escuridão arrebatadora que se exprime e que nos presenteia.
Cúmplice do sonho. Da vida.
Amo a noite!
Sem ela, morreria. Morreríamos todos.
Mas, morreria eu, principalmente! Em primeiro lugar!
Obrigado noite!
E, obrigado pelo que és, pelo que sou!
Obrigado!
Eternamente grato, noite!
Porquê?
Simplesmente, por seres noite!

Pena, Uma Noite Branca de Encanto. Março.2007

Sunday, March 25, 2007

Memórias Inesquecíveis de Infância e a minha querida Tia Judite


Memórias inesquecíveis de Infância e a minha querida Tia Judite

Sempre que falo da minha Tia Judite sinto um arrepio. Não sei explicar porquê. A Tia Judite era uma mulher de armas, como se costuma dizer. Vinha de Abambres, sempre a pé. Vejo-a na cozinha de casa da minha avó, falando muito alto. A Tia Judite ouvira sempre muito mal ou era assim que eu a via. Elevava a voz e falava, falava, falava muito. A sua voz ecoava por todo o lado. Fazia-se ouvir. Quando entrava, todos sabiam que ela estava lá. A Tia Judite era meiga, atenciosa e prestável com todos. Nunca a vi arreliada ou maldisposta. Tinha uns olhos pequeninos num rosto repleto de rugas. Adorava doces e adorava que nós comêssemos doces com ela. Penso que os acompanhava com uma pinguinha, de que não abdicava. Quando isto acontecia ou era festa, ria, ria, até não poder mais. Dizia que eram os outros que a faziam rir e não o efeito da pinga, cujo efeito a tornava muito alegre e bem disposta. A imagem que tenho desta situação era que bastava ela cheirar a pinguinha, para rir sem parar até chorar.
Eu era raro entrar na cozinha. Fazia-o somente para pedir água. Era surpreendente aquela água, sempre muito fresca, armazenada numa vasilha de barro preto comprado em Bisalhães, que lhe dava um paladar alucinante e desejado. Sempre vi aquela cozinha muito fria e com uma ou duas empregadas entregues a ela, embora não muito atarefadas. Vejo-as sempre sentadas em bancos de madeira tosca, conversando baixo e com um ar de fadiga. Não recordo os seus nomes, não por desprezo, mas porque não cativaram muito a minha atenção, pois, era muito pequeno. Lembro-me, embora vagamente, da Grabelina. Vinha de Abambres com a Tia Judite, a quem contava a vida, a sua amargurada vida. Estava sempre cabisbaixa e era idosa e mouca como a minha Tia. Via-a com um ar triste e desolado. Quando vinha, comia fartamente e matava ali a sua dor e o seu infortúnio. Nunca se aventurava a estar noutro aposento da casa. Via-a sempre na cozinha ou não a via. Parece-me também que falava em surdina com a minha avó ou com a Tia Judite em desabafos necessários e que faziam parte da sua malfadada existência. Sim. Lembro-me da Grabelina e até me lembro quando ela morreu, quando findou a sua vida inconsequente e sofrida.
A Grabelina fez parte do meu memorial e do memorial da minha família, em casa da minha avó Maria, mais concretamente, na cozinha da minha avó Maria, de onde nunca saia.

A Tia Judite: "Era o sono da morte..."

Já em casa de meus pais, relembro-me de outro episódio com a minha Tia Judite. Eu e o meu irmão João, adorávamos dormir. Dormir até quando nos deixassem. Vivíamos num apartamento, junto do Mercado Municipal de Vila Real. Como era habitual, em dias de feira, a Tia Judite deslocava-se até lá, sempre escorreita e desejosa de lá comparecer, ao mesmo tempo, que aproveitava para nos visitar. Ora, um dia em que a feira acontecia subiu a escadaria de casa de meus pais e bateu à sua porta com uma energia desmedida, que não passara despercebida aos vizinhos, como sempre o fazia, e chamando muito alto por nós. Todos ouviram, só nós é que não. A sua voz ecoou por todo o prédio e aquela habitação até quase tremeu, dado o impacto provocado pelo seu chamamento e pelo barulho manifestado. - Manel, João, sou eu. Abram a porta! - Gritou, com todo o seu ímpeto posto na voz. Bateu uma, duas, três vezes. Chamou uma, duas, três vezes e o seu grito fez-se ouvir por todos os moradores que aquela hora estavam nas suas casas. Acorreram todos, aflitos. A Tia Judite virou-se para eles e disse, trémula:- Só podem estar mortos lá dentro! Estão mortos, de certeza!
Toda aquela gente entrou em pânico, pensando em como abrir aquela porta e como estaríamos nós.
Em voz de comando, a minha Tia Judite ordenou: - Rebentem a porta! Estão mortos! Estão mortos, de certeza!
Imediatamente, se juntaram mais pessoas e a porta foi mesmo arrombada e toda aquela gente, conhecida e desconhecida, entrou pelo nosso quarto dentro. Acordamos de imediato, surpresos e amedrontados. Nunca tínhamos visto tanta gente no nosso quarto. Notei-lhes na expressão um aspecto e um semblante de desilusão, como que dizendo:-Afinal estão vivos! Estão vivos e bem vivos! Que chatice!
De imediato, toda aquela multidão debandou inconsolável, perante a falta de acção no desfecho desta situação e a minha Tia Judite nem nos recriminou e só exclamava, emotiva: - Era o sono da morte! Era o sono da morte!
E, foi assim, que entrou em nossa casa!
Pena, Numa noite interminável de saudade da Tia Judite, onde quer que ela esteja. Um Bem -Haja, querida Tia Judite que nos faz sonhar!

Saturday, March 24, 2007

O Meu Querido Avô João



O Meu Querido Avô João


Parece que o estou a ver, o meu avô. Chamava-se João Pena. Movimentava-se pela casa como uma sombra importante, imprescindível. Era respeitado por todos, familiares e amigos. Professor idolatrado, competente e atento à plena educação e formação dos seus alunos, nunca agia manifestando as suas mais íntimas efusões de afecto, mas elas estavam lá, sempre presentes. Mostrava autoritarismo, segurança nos seus gestos, mas era doce e terno, camuflando uma imensa simpatia e preocupação nas emoções e nos sentimentos, para com todos. Era raro vê-lo a sorrir ou em situações de grande tumulto ou hilaridade, comedido e sério que era. Abraçara o seu mister de professor, para dedicar-se inteiramente a ele, de alma e coração.
Relembro-o, agora, fugazmente. Prendera-se a sua fugidia imagem a mim, com contornos de perpétua adoração e veneração. Vejo-o sempre de cigarro na boca, expelindo densas fumaças com regozijo e satisfação. O seu cinzeiro de prata, que era só seu, repleto de beatas apagadas e, que agora, guardo carinhosamente comigo por oferta da minha mãe. Tinha dignidade, o meu avô, evidenciada nos actos que tomava, agindo, todo o tempo, de forma sensata e sóbria. A sua dignidade era respeitada porque respeitava a dignidade dos outros. Vivia preso à família e, ainda hoje, parece-me vê-lo esboçando um ténue sorriso de carinho só para mim e ouvir, pelas mais diversas vozes de outros, louvá-lo e enaltecê-lo pela sua conduta intocável e bela em todos os rostos conhecidos ou desconhecidos, na cidade que era sua e que eu habito. Meu avô conquistara os corações das pessoas e defendera valores relevantes ao seu bem-estar e à sua vida em felicidade, que jamais seriam esquecidos. O meu avô João, para os outros, o Professor Pena, eternizara a sua obra de amor, dedicação e solidariedade que jamais serão ignorados, imortalizados que serão pelo tempo fora, sem desgaste pela inércia avassaladora de ideologias de vanguarda das novas gerações. Disso tenho a certeza inequívoca, sentida e verdadeira. Meu avô João tinha sempre crianças por perto, mas não lhes sorria, amava-as com a sua seriedade, com o seu carácter de figura de bem. Amava-as tão intensamente que se esquecia de si próprio ou do sorriso que guardava dentro de si, só para elas. O meu avô abraçara uma capa transparente e pura, dotada de um fulgor amistoso e afável que todos admiravam, mas não sei se compreendiam. Eu compreendia. Eu vivia. Eu vivia nessa capa como todas as crianças viviam. Era só para elas e, isso, era suficiente. As pessoas, as outras pessoas perguntavam e intrigavam-se, quando perguntavam onde estava o sorriso do meu avô. Eu sorria e ele mostrava-se sério, parecendo indiferente e esboçando um sorriso terno e agradecido pela minha cumplicidade. Um sorriso mais sentido no seu interior, menos exterior, mas o sorriso estava ali e eu via-o, com uma nitidez e alegria imensas. É assim que o revejo. É assim que sinto o meu avô! Guardarei sempre com respeito e amor a imagem do meu avô João, para os outros, Professor Pena.
Não esqueci as suas sestas. Dava-me cinco tostões e as suas sestas eram as minhas sestas. Só conseguia adormecer com os netos no seu coração. Quando me parecia que ele adormecera saia furtivamente da cama, sem fazer ruído, agarrando com muita força os cinco tostões na minha mão, pequena ainda, ao mesmo tempo, que escondia a minha recompensa e o meu pequeno tesouro, amplamente merecidos. Ele sentia-me abandoná-lo e, então, sorria e adormecia feliz, enternecido pela companhia valiosa que lhe fizera.
O meu avô intrigava-me porque nunca entrava na cozinha. Compreendi só mais tarde a razão: Não queria atrapalhar! Respeitava as empregadas profundamente e elas respeitavam-no também, com alguns indícios de temor associado, pelo rosto austero, imponente, exigente, mas respeitador, quando se lhes diria, o que era raro. Sentiam, então, uma ligeira tremura que passava rapidamente. Conheciam-lhe o bom coração oculto e tinham-no em consideração. Ele parecia ignorá-las, o que não correspondia à realidade.
Ao jantar, quando se sentava à mesa, no lugar do topo, mandava acender todas as luzes, exclamando, com convicção:
- Acendam todas as luzes, enquanto eu estiver vivo! Quando morrer, para mim, já não fazem falta! Enquanto estiver aqui quero tudo aceso.
E a claridade das luzes propagava-se por todos os cantos da casa e ele parecia satisfeito, feliz! Já, quando dormia no quarto ou descansava nele a obscuridade total enchia-o plenamente. Queria a penumbra completa, se calhar para lhe facilitar o descanso ou para ter paz absoluta para consigo próprio, naquele recanto íntimo, só dele. Digo, que encontrei mais tarde esta situação perpetuada em minha mãe e em mim mesmo.
Quando o meu avô morreu apagou-se uma chama no meu olhar e no meu coração. Não compreendi bem, mas senti que uma parte dele encarnou em mim. Alguma coisa ficou dele em mim. Não tive um desgosto, mas senti um orgulho desmedido em tê-lo conhecido e partilhado do seu afecto, do seu amor e do seu forte carácter que impunha em tudo o que fazia. Amá-lo-ei sempre, nem que seja em sonhos, o meu avô João, para os outros; Senhor Professor Pena! A sua sombra baila-me cá dentro, no pensamento mais escondido do meu ser, com pena de ele não ser eterno, pois, há certas pessoas que deviam ser eternas, sempre presentes em nós, pelos actos nobres, pelo temperamento, pela entrega aos outros. E ele era uma delas. Se, ao menos, lá no alto, Deus ouvisse e concedesse essa dádiva. Só me apetece dizer, ternamente:

- Até sempre, querido avô!
Pena, Num Dia de Imensas Saudades do Meu Querido Avô que me ficou para sempre na memória, na lembrança e no coração. Eternamente!

Friday, March 23, 2007

A Solidariedade

A Solidariedade

Seja solidário. Há gente, pessoas, que precisam...
Não é necessário um dia para isso, faça-o sempre. Estenda a sua mão...

Compreenda, ajude, auxilie...

A minha, a tua, a sua vida, ficará interiormente mais rica. Acredite!

A Educação:Sonho de Um Professor

A Educação: Objectivo prioritário dos Professores

Olho as horas. É noite.
Por que razões surgem sempre as construções das palavras e das frases a estas horas?
Não sei explicar! Não consigo explicar!
O silêncio absorve-me e consome-me. A pacatez das sombras fantasmagóricas dos objectos que me rodeiam e que vislumbro, abarcam-me, invadem-me o espírito.
Do aparelho da telefonia sai um som melodioso de um conjunto de sons aprazíveis que, por oferta de uma aluna minha, tem um valor desmedido, incalculável.
Tornou-se uma preciosidade, um tesouro que me auxilia e provoca bem-estar quando penso.
No meu pensamento aparecem várias silhuetas, vários rostos, que observo atentamente e que, se expandem sempre e constantemente, com um sorriso expresso e visível orientado para o que sou. Entranharam-se em mim.
Estão cá. Estão em mim. Bem presentes. Mimo-os porque me consolidam a existência.
A minha existência.
Deambulam-me ao acaso nas ideias e na mente, a estas horas tardias.
Por que aparecem assim? Não sei.
Apetecia-me ir à noite à escola. Ir à escola e ver se tudo está bem com elas.
Mas, o portão está fechado e não estão lá.
Devo abrir o portão por magia e verificar. Verificar bem!
Sei que são impulsos. Mas, preocupam-me, esses rostos inocentes que tudo merecem.
Olho-os com um certo cansaço. Talvez, também estejam cansadas estas silhuetas.
Estarão fartas, as silhuetas? Necessitarão de auxílio e compreensão?
A Educação que todos nos esforçamos por contemplá-las servirá para alguma coisa? Estarão dispostas a recebê-las? Elas que são educadas e ternas, tenho a certeza. Absoluta!
A Cidadania, a boa e autêntica Cidadania, escorre-lhes a jorros no pensamento. Na infantilidade. No acto de viver. Na forma como agem. Na forma como acatam tudo o que lhes dizem. Só querem ser felizes, mais nada.
São como são!
E, eu serei cúmplice. Serei atento. Estarei sempre presente. Na entrega. Na dedicação. No que poderei dar, mesmo que me transcenda. Mesmo que as possua no pensamento porque encantam.
Elas aceitarão? Aceitarão tudo o que posso e lhes quero dar?
Só um aspecto: Deixem-nas brincar. Deixem-nas serem alegres. Compreendam o sorriso que esboçam em tudo o que fazem. Compreendam o que lhes vai lá dentro. Compreendam o que sentem. Compreendam o que lhes vai na sua conduta de sinceridade, porque são sinceras.
Só me resta dizer mais uma coisa: Gosto de ser professor e estar próximo, bem próximo de tudo, bem próximo delas, mesmo que dê tudo. Dê tudo o que possuo na minha tentativa de convivência social que é para elas.
Só para elas!
Um Bem-haja por me aceitarem e aceitarem o que sou!
Como sou!
Nunca lhes esqueceria uma atitude! Um gesto! Uma simples palavra que fosse!
Guardá-las-ia como um tesouro!
Só para mim!
Nem que fosse para mais tarde recordar!

Pena, Um Professor Sonhador. Março. 2007

Wednesday, March 21, 2007

Deus e o Universo


Deus e o Universo

"...O Professor... acreditava que Deus está em tudo o que nos rodeia. Não como uma entidade acima de nós, que nos vigia e protege, conforme preconizado pela tradição judaico-cristã, mas como uma inteligência criadora, subtil e omnipresente, talvez amoral, que se encontra a cada passo, a cada olhar, a cada respiração, presente no cosmos e nos átomos, que tudo integra e a tudo dá sentido."

(extraído do livro:" A Fórmula de Deus". José Rodrigues Dos Santos. Gradiva publicações. pág. 314).

O meu Deus, acreditem ou não, porque tudo se explica, vem das mensagens amáveis e doces da minha caixa do correio que me surpreende e encanta. Não! Não são facturas! São palavras explicáveis, perfeitas e lindas, de pessoas especiais que a descobriram. Do seu interior sopra uma melodia deliciosa que apela para que a abra. Uma melodia deslumbrante.

Qualquer dia mudo-me para a minha caixa do correio e aguardo. Ponho umas cadeiras que lá caibam e aguardo. Acendo uma luz resplandecente e deslumbrante para assinalar a nova morada. A nova morada na minha caixa do correio de sonho.

Penso que se Deus vir, olhar atentamente, compreenderá. Se ouvir, escutar, entenderá. Compreenderá a magia dos actos, das palavras, das mensagens nela contidas.

E, por fim, aprovará e incentivará a minha nova morada na minha caixa do correio que escolhi com uma paixão decidida e, com um reconhecimento manifesto, presente, sentido.

A minha preciosa caixa do correio acorda e vigia constantemente o meu difícil sono e desperta-me sobressaltado e inquieto pelo que me está a acontecer.

Adoro-te, caixa do correio!

Um Bem-Hajam!

São o significado absoluto que vou construindo de uma existência. Da minha existência.

Desconhecida. Ignorada.

De uma existência que perdura e vive em mim.

Até sempre!

Esplendorosa Caixa do Correio, que vives em mim!

Pena, Numa Noite de Sossego Absoluto, de Insónia e Profundamente Meditativo. Março de 2007

A Vida


A Vida - Uma Epopeia Gigante

Que mistérios encerra a Vida?

Somos tão "pequeninos" no meio de uma multidão imensa anónima.

O sentir dos momentos, dos instantes, das horas avançarem, são uma busca incessante do infinito perpetuado em nós, pelas gerações e gerações que nos sucedem.

A Vida! A vida é algo de fabuloso. Indiscutível, quero crer!

Pena, Março 2007

Tuesday, March 20, 2007

"A Primavera"


" A Primavera"
" O Outono
É a tristeza dos nossos olhos
Nuas árvores emolduradas pela retina...aos molhos.
A Paixão, o coração
Tudo falso nestes dias Outonais
Mas...nada é impossível
Nos meses Primaverais.
.............................................
Mas, todos esquecem
Este profundo poço de horror
Quando tudo volta, com saudade,
A andorinha e o beija-flor".
Retirados extratos de um belo poema de Joana Castro H

Sonhar...


Sonhar...
Apesar de tudo, dos revezes e contrariedades duma vida, vale a pena sonhar...
Pena, Numa tarde na escola, sonhando...
Março, 2007

Sunday, March 18, 2007

Se eu fosse um Anjo...


Se eu fosse um Anjo…

Se eu fosse um Anjo, é óbvio que ampararia, protegeria.
Tentava alterar o Universo. O Universo complexo das Pessoas, é evidente.
Não me meteria com Deus. As Estrelas, os Planetas e os Cometas, são com Ele!
É tudo tão perfeito na sua imperfeição. Sei lá. Foi Ele!
Se O criou assim é porque O quis assim! Acredito no fervor Dele. Do que fez com boas intenções!
Por certo, eu faria o bem. Dedicaria o meu papel, a minha missão, às pessoas.
Creio que Ele não se importaria. Já tem tanto que fazer. Seria apenas um auxílio.
Talvez, gostasse do auxílio. Talvez, Sorri-se para mim. Agradecido, pela atitude, pela arrogante tentativa.
Eu, se fosse um anjo, colocar-me-ia, estrategicamente, na sombra das pessoas tentando compreendê-las. Viver as suas vidas. Encaminhá-las, porque o meu papel era esse.
Tentava concretizar os seus desejos, as suas dúvidas, os seus pensamentos.
Possuía algum poder. Era capaz de O consultar sempre. Nunca me esqueceria que Ele era O meu Patrão. Não me esqueceria! Não podia.
E, se eu fosse um anjo, mudaria tanta coisa!
Não me viraria para o céu para contemplar os seus mistérios de encanto.
Para contemplar uma Obra surpreendente, mas que não explica.
Olhamos e olhamos e, ficamos cada vez mais, com mais dúvidas. Enormes dúvidas. Coisas para corrigir. Coisas inaceitáveis. Coisas de podridão. Coisas de desencanto. Pessoas aflitas. Pessoas desencantadas. Pessoas sofredoras. Pessoas que morrem. Pessoas que não acreditam no encanto de existir.
Enfim, tanto a alterar. Tanto a modificar. Tanto a corrigir.
O Universo é imensamente belo! É deslumbrante! É magnífico!
Mas, confuso por ser assim, surpreendente. De arrebatar!
Não consigo explicar o que não pode explicar-se.
E, não consigo explicar, mesmo sendo um anjo.
É, como está! Assim? Assim!
Eu nunca poderia vir a ser um anjo!
Só complicaria a Obra Dele!
E, isso eu não quero!
Só serviria para emperrar a enorme Obra Dele!
De que serviria?
Nunca poderia ser um anjo…

Pena, Numa normal e pacata tarde de Domingo, Março de 2007

Saturday, March 17, 2007

A Minha Caixa do Correio


A Minha Caixa do Correio

Estou aflito com a minha caixa do correio. Ela vive!
Deram-lhe a magia da vida que não compreendo, mas sinto.
Sabem, que me abraça sempre que lá vou?
A minha caixa do correio sorri para mim! Sorri com ternura e carinho!
Não! Não são facturas ou contas a pagar, é amor!
Metamorfoseou-se em Amor! E, há lá muito amor que me faz sonhar.
A minha caixa do correio preocupa-me. Muito!
Apetecia-me algo: Passar o tempo metido nela e falar…falar…falar.
Se lhe falasse e confesso que lhe falo, contar-me-ia coisas belas, doces, ternas que se passam ultimamente com ela.
Contar-me-ia Mundos vivos por descobrir, aventuras, epopeias surpreendentes e majestosas de encanto, ternura e Amor…
Oh, meu Deus explica-me? Explica-me? E, rapidamente.
Serão assim todas as caixas do correio do nosso abrangente e imenso Planeta?
A minha caixa do correio contém pensamentos, dizeres, gestos e atitudes. Profundos. Admiráveis! Atentos, pela seriedade e atenção.
Que genialidade! Quando lá vou, o meu coração palpita. Salta. Pula de emoção.
Não sei. Mas, Deus devia vir cá abaixo ver isto!
Mesmo Ele não entenderia, nem teria maneira de retribuir, estou certo.
Estou estupefacto. Estou agradecido. Não sei que fazer.
Penso que a vou pintar porque necessita de se embelezar.
Para receber condignamente tão gigantes pensamentos e gestos.
OBRIGADO!
Venham conhecer a minha caixa do correio e conhecer o que lhe vai lá dentro.
Se pensaram em entrar, serão recebidos SEM PALAVRAS!
Não saberia dizer nada. Só o silêncio de respeito e de gratidão aconteceria.
OBRIGADO!
Prometo que, logo que possa, a pintarei!
Necessita de uma dignidade à altura para viver. Para viver e dar.
Viver e dar como ultimamente tem vivido e deveria dar!
E, eu não sei como dar?

Pena, Num Sábado pacato e sereno. Março 2007

Friday, March 16, 2007

Um Sorriso de inconfundível Ternura e encanto.


Um sorriso Alegre de sobriedade
Nunca a vi sem ser a sorrir!
É assim. É aquilo

. E, aquilo é assim. É, como é. Inconfundível!
Um sorriso que conquista e arrebata porque é adornado de carácter.
Ela acarreta consigo uma alegria infantil de existir sem limites. Ama a vida. Deleita-se só de viver a vida, a sua vida, inquirindo-se com o que ela é ou possa vir a ser, mas num sorriso peculiar que a define. Contagia, irradiando-o por todos. Uma presença de magia encantadora que não é enigmática.
Sim! É pura. Própria da idade infantil que não esconde. Não consegue! Ela é ela.
E, ela tem que ser ela!
Transporta-se sorrindo, agarrando-se com segurança e bem-estar ao sorriso.
Lê-se facilmente o seu olhar. Descortina-se uma existência. E, uma existência que cresceu a sorrir. Formou-se a sorrir. Existe, angelicamente. Aprazivelmente.
Pensa! E compartilha esta chama de dignidade, fazendo pensar.
Descobre-se! Descobre-se logo. Porque o pensamento é transparente e faz desvanecer. O seu pensamento faz pensar! Faz ponderar! É jovial. É aberto.
Jovial e aberto, como ela é! Repleta de bom-senso. Repleta de sobriedade.
Senta-se na sala com ele. Com a companhia do sorriso. E, ele fala, diz tudo o que há para dizer.
Sente nela o orgulho e o deleite de ser.
Vê-se tudo: a eterna curiosidade. A inteligência que pergunta. Que quer saber mais. E, mais. Mede rigorosamente e meticulosamente o pensamento, disputando as palavras com ela e com os outros. Sempre sorrindo animadamente e espalhando frases estruturadas e exactas pela sala onde se senta.
Eu ouço. Vale a pena ouvir. Ouço-a e sorriu porque vale a pena ouvi-la e sorrir.
Que se pode dizer mais?
Como Educador apetece-me ficar sério. A sério! Porquê?
Porque admiro aquele sorriso.
Um sorriso inteligente e alegre de sobriedade!
Só posso dizer:
- Sinto orgulho em tê-la como aluna! A sorrir porque é inteligente!

(Dedicado a uma aluna pelo que é. Uma criança que explica tudo o que comporta inexplicação, por ser fiel ao encanto e ternura de 10 anos. Os seus sorridentes 10 anos. Explicáveis, transparentes e à vista de um Mundo muito belo de sonho. Como é bom sonhar? E, ela sonha!)

Poliedro, 13 de Dezembro 2006

O complexo Cérebro Humano

" Nunca mais conseguiremos olhar para nós ou para o outro sem nos interrogarmos sobre o que se passa por detrás dos olhos que assim se encontram".

(Oferta do livro de duas Pessoas que têm uma qualidade: São Maravilhosas. Essa qualidade enche-me! Essa qualidade já vai rareando muito, por isso têm um valor incalculável em mim, bem como a foto dos meus filhos, que coexistem com essas duas pessoas, lado a lado. no meu acelerado coração que vai suportanto a alegria de viver, sorrindo para eles, estarrecido, deslumbrado e... apaixonado por viver. Não sei até quando vai aguentar?
Jonas Salk (Biológo). in: "O Erro de Descartes". António R. Damásio( Prémio Pessoa).
Livro delicioso por ter sido encontrado na minha caixa do correio. A atitude? Sem palavras, tal o deslumbramento! Vivem no Mundo que quero para mim, para eles, para os meus.
Nota muito importante, imprescindível: As fotos são dos meus dois filhos. A reter no olhar e no pensamento.

Wednesday, March 14, 2007

Um Aniversário MUITO IMPORTANTE!





Parabéns!

Hoje, é um dia muito especial.

Faz anos uma PESSOA MUITO IMPORTANTE, a minha melhor AMIGA!

Uma data a reter: 14 de Março.

Nunca esquecerei.

Beijos.

pena gil

Tuesday, March 13, 2007

A propósito de: A Ansiedade


A propósito de: A Ansiedade

“ Ansiedade, é quando faltam sempre muitos minutos para o que quer que seja”.

Li e vi, num blog da minha maior amiga, esta frase que comentei.
Talvez, não fizesse bem em comentar?
- Tu também, metes o teu nariz em tudo. – Reza uma voz, que costuma amparar-me.
Em tudo o que mexe! Em tudo o que existe! Em tudo o que sentes! – Repetiu, com maior ansiedade.
Olhei atentamente para dentro do meu eu.
A voz tornou, voltou à carga: - És doido ou fazes-te de doido!
Oh, meu Deus! Eu que me desfaço em lágrimas ansiosas em tudo o que faço.
As pessoas, que são pessoas, não deviam suportar, nem acarretar o fardo pesado do choro da ansiedade.
- Tu deves é ser e possuir a choradeira do teu pensamento? Por que não te calas, quando deves calar-te? – Insistiu a voz, vinda dos confins da consciência, do ermo distante das minhas ideias que eu desconheço.
Parei para pensar. Ao menos faço alguma coisa de jeito: Penso que penso! Já não é mau de todo.
As lágrimas escorrem-me com muita frequência. E, a ansiedade?
Confesso: Sou ansioso. Pronto, já disse.
- Burro é que tu és! – Ecoou a voz, nesta altura do desamparo, quando funciona sempre para me amparar.
Aquilo doía: A Ansiedade!
Resolvi abrir a cabeça para espreitar e me certificar de que ela, a ansiedade lá estava? Estava. Comodamente instalada no sofá da sala da minha cabeça.
Caramba. Tinham razão!
Pus a cabeça normal, ela que nunca o foi e, exclamei, peremptório:
- Sou ansioso! Nunca sei as coisas que me vão no eu. – É doença? Vou morrer? – Inquiri-me.
- Qual ansioso? Tu és, mas é, mesmo burro e só querias conflitos. – Insistiu a voz que me auxilia sempre.
Conformei-me.
- Afinal, vivo ansioso! Tinham razão! Sempre vivi ansioso, confesso.
Ansioso por esperar quem amo!
Ansioso por tentar viver!
Ansioso na doença de um filho que adoece!
Ansioso por chorar lágrimas de amizade verdadeiras, autênticas, sinceras!
Ansioso por me descobrir e descobrir os outros!

Em suma, ANSIOSO por ajudar e ajudar-me.
ANSIOSO por viver e compreender os mistérios de existir!
Sim! Sou ANSIOSO!
Completamente e por inteiro!
Sim! “Faltam sempre muitos minutos para o que quer que seja.”
Desculpem. Sim?

Pena Gil, 1 hora, vinte e cinco minutos e quarenta segundos duma noite ansiosa de Março/2007

Saturday, March 10, 2007

Sou um Vagabundo do Pensamento


Sou um Vagabundo do Pensamento
Apetecia-me escrever, descrever, uma história de Amor. Sincera!
Divago e divago. Forço e forço e faço força por pensar. Para colocar as ideias bem estruturadas. Ideias e palavras penduradas em mim. Penduradas com fervor no meu ser.
Às vezes, penso em colocar um adesivo curador nas ideias e no pensamento.
É por isso que divago, com elas suspensas e agarradas.
Assim, não me escapam. E, são tantas, as ideias.
Não gosto que me conotem com a Filosofia. Sinceramente, só conto histórias.
Gosto de as contar. Mesmo que não as leiam. Porque razões as haveriam de ler?
Saem. É só! Eu também nunca as leio. Assustam-me!
Vagabundeiam por mim adentro. Instalam-se em mim, embora desejem outro lugar. Tenho a certeza.
Um lugar mais autêntico. Anseiam por descansar. Estão fartas dos adesivos.
Se as solto, as ideias, fazem estragos. Minam as pessoas e explodem com elas sem nexo.
A história de amor que me apetecia contar, rege-se em mim. Nos que me rodeiam.
Fazem parte do que sou.
Por que razão sou assim?
Gosto de ser verdadeiro. Lúcido. Atento.
Gosto dos autênticos desconhecedores do meu pensamento vagabundo. Não o conhecem. E, ainda bem. Assustar-se-iam, como eu me assusto!
Não consigo soltar os adesivos e o pensamento desliza e conta…conta…conta…
Conta…Sem fim!
A história de amor que queria contar, rege-se pelo próprio amor que possuo.
O Amor à vida. O cântico sonoro e alegre dos meus. O cântico vivo de estar vivo.
De possuir pessoas que me compreendem e entendem.
Da canção melodiosa de uma existência que não termina aqui. Vai prolongar-se enquanto existir a existência em mim.
Não me interpretem mal.
Sou um vagabundo do pensamento.
Só isto, por mais assustador que isso seja

By Poliedro, Num pacato e solarengo Sábado de descanso. Março.2007

Friday, March 09, 2007

Quem Sou Eu?


Quem sou Eu?
O Prémio Nobel da Literatura 2006, Orhan Pamuk, em “A Cidadela Branca” a dada altura, num personagem fruto da sua muito fértil criatividade, fala assim, interroga-se: “Quem sou Eu?”.
Não pude deixar de pensar nisto. Seriamente. De me interrogar também: E, eu quem sou? Tantas vezes me ocorreu. Tantas vezes senti-me, perdi-me, desesperei-me, a pensar nisto.
Podia continuar debruçado sobre o livro e passar à frente. Continuar a lê-lo imperturbavelmente e sem dar grande importância. Mas, algo aconteceu em mim. Algo mais forte.
E, eu quem sou?
Quando olho o espelho, lá estou eu! E, sem saber nada sobre mim. Sei lá, quem sou? Só sei que aquele que vejo e, que não se parece com mais ninguém, sou eu!
E, foste avisado que eras tu. – Sussurrou-me uma voz misteriosa, ao canto de um ouvido, que foi como um sopro de vida. Eu?
E, que faço comigo, eu que sou sei que estou aqui? Que aquele que está ali tão perto, sou eu.
Eu, metido na pele de mim! Eu que, por vezes, esqueço-me de quem sou ou o que faço aqui?
Se não houvesse espelhos, seria capaz de me reconhecer e reconhecer os outros? Estes saberiam quem eram e eu saberia quem sou?
Duvido. Sinceramente, duvido. Perdoem-me a franqueza, a seriedade do que digo e penso. Todos estaríamos perdidos. Ao acaso. Aos encontrões existenciais pela ignorância e falta de identificação.
Estaríamos à deriva. Sem emoções. Sem justificações de quem somos?
Espreito-me de novo. Cautelosamente. Com receio. Timidamente. Pelo canto do olho, porque eu tenho um olho. Dois. Lá está ele! E, ele dizem que sou eu! Ele irá aceitar ser eu? Não terá grandes alternativas na escolha que possa efectuar. Temo-nos aos dois. Já é um bom consolo!
Não posso fazer nada. Aquele que está ali, sou eu! Tenho que o transportar sempre comigo. Sim! Toda a vida. Posso estar certo disso. Sem ter medo de errar.
É a vida!
Enquanto me olho, enquanto olho o outro que sou eu, penso.
Penso no que sinto e, interrogo-me, se serei capaz de amar? Se serei capaz de compreender? Se serei capaz de me entregar? A quê? A quem?
Já que terá que ser assim. Também não será difícil.
Ele que sou eu e eu que sou ele, seremos bons. Podem acreditar! Não! Não haverá fugas!
Prometo!
E, o que prometo é para cumprir, rigorosamente.
Amarei o Mundo. Amarei as pessoas. Amarei a existência.

Não passo de infímo ser neste Universo imenso!

Sei uma coisa. Só uma coisa:

Amo os meus filhos e a minha doce esposa com um carinho que não consigo descrever, nem definir! Sei isso. Só! E, apenas!

Já é bom! Muito Bom!

By Poliedro, Dezembro 2005


( Dedicado a uma extremosa Mãe e uma adorável Filha)

Wednesday, March 07, 2007

Diàrio de um Professor preocupado


Diário de uma vida, de um momento, que fica por escrever…

Quando estou feliz, fico atrapalhado por os outros não o estarem.
A Felicidade devia ser abrangente, extensiva, cobrir espaços, pessoas, de forma que a área fosse infinita.
Impossível de calcular, tal a universalidade indeterminada.
Hoje, na aula, inquiri um aluno com olhar triste, circunspecto:
- Porque não fizeste o trabalho? – Perguntei-lhe intrigado.
Resposta do rapazinho: - Tenho a minha mãe no hospital. – Disse, desconsolado e aflito. Continuou: - Não consigo pensar senão nela. – Concluiu, com os olhos arrasados de água.
Fiquei em silêncio! Fico sempre em silêncio quando o silêncio exige compreensão e consolo.
Permaneci assim alguns segundos. Olhando-o. Só olhando-o!
Esbocei um gesto, uma atitude preocupada e consegui meigamente insistir:
- O que se passa com a tua mãe? – Esforcei-me por proferir.
Cabisbaixo, lá disse: - Está no hospital na Suiça. Eu estou com os meus avós. Vivo com eles.
Debrucei-me sobre o Mundo que era aquela criança e, ternamente, pedi-lhe desculpa.
Depois, abracei-o, sentindo abraçar o Universo e meditei.
Mais um, a quem a vida não sorri. Mais um desalento absurdo de existir, de viver uma vida que deveria ser para viver. Viver em felicidade!
Pensei cabisbaixo, sentindo – me atentamente observado por Deus: - Mais um Herói da vida. Um Herói que tudo merece.
E, o trabalho em falta?
Quero lá saber do trabalho! Que se dane o trabalho!
Quero é saber da criança. Quero é saber da mãe da criança. Quero é saber do Mundo desta criança.
Nada mais!
Sinceramente! Penso naquela criança. Penso naquela vida! Penso naquele Mundo!
E, penso para mim: “É injusto. Profundamente injusto. Porquê?”
Sinto um vazio mexer-se. Mexer-se em mim, por uma ausência de lógica.
Esse vazio sinto-o por ser inexplicável. Essa ausência de lógica sinto-a por ser incompreensível, por ser ilógica, não o devendo ser.
Porquê? Porquê? Meu Deus!
Só sei uma coisa: - Nunca mais lhe perguntarei pelo trabalho! Podem crer!
Se um dia, mo entregar, ficarei feliz. Muito Feliz!
É porque tudo estará bem!

Pena. Diário de um Professor. Março.2007

Tuesday, March 06, 2007

Reflectindo...

Reflectindo...



“Até os deuses sonham.
…………………………………………………………………………
Penso que tenho linhas no meu corpo, grandes espaços ressequidos e pústulas que ardem como vulcões. Ou chagas. Ou desertos.
Interrogo-me, confuso. Serei um só ou duplo? A luz ou a sombra da luz?
E o túnel sobe em direcção ao mundo e eu escalo-o e fujo através dele e chego onde vives. E um dos problemas da divindade é que as pessoas esperam algo formidável e poderoso.
E um resultado instantâneo”.

In”O Oráculo” de Catherine Fisher. 2003. Editorial Presença

Sunday, March 04, 2007

Para Pensar...

Para Pensar...

“PURO.
Tudo dali parecia sereno, transparente, elevado. Puro. Nunca como naquele lugar experimentou a sensação de se encontrar algures entre o céu e a terra, flutuando sobre a neblina com o espírito livre, emergindo da massa dos homens para tocar Deus, sentindo a eternidade comprimida num segundo, o efémero estendendo-se pelo infinito, o principio do Ómega e o fim do Alfa, a luz e as trevas, o universo num sopro, a impressão de que a vida tem um sentido místico, de que há um mistério que se esconde para lá do visível, um enigma gravado em letra antiga num código hermético, um velho som que se pressente mas não se escuta.
O segredo do mundo”
In “ A Fórmula de Deus”. José Rodrigues Dos Santos”
( Foto escolhida pelo meu filho mais novo)

Saturday, March 03, 2007

Um Sonho Perfeito por ser Real

Um Sonho Perfeito por ser Real


Ainda meio a dormir surgi à janela. Vi duas lindíssimas princesas! Pestanejei. Aquilo era comigo!
Tão lindas!!!
Tive a sensação, só a ligeira certeza de estar acordado ou a perpetuar um sonho, de deleite e encanto.
As princesas esperaram que eu acordasse. E, demoro muito a acordar.
Como eram belas!
Apetecia-me compartilhar a delícia daquele sonho.
Caí em mim.
Já desperto senti-me maravilhado com tanta atenção, tanta dedicação, tanto encanto.
Tinha que contar este sonho que me apetecia que nunca acabasse.
Tivera sido um sonho real. Tão lindo! Tão Perfeito!
Afinal vale a pena sonhar, porque nele, cabe toda a imensa perfeição da realidade.
OBRIGADO!
Pena, que demora a acordar, num gesto inesquecível de duas maravillhosas princesas bem reais e que fortaleceram o meu acordar. A visão é indescritível, tal a beleza que contém!
Deslumbrante!
Março.2007.

Friday, March 02, 2007

A Perfeição







A Perfeição
Desconheço a perfeição. Talvez, noutra dimensão interplanetária exista.
Eu não a vejo! Não a sinto. Não! Sinceramente, não a consigo conceber, existir entre nós, existir no nosso seio.
A nossa impecabilidade nos gestos, nos sonhos, no amor, na dúvida, em tudo o que fazemos por deslumbrar a existência que nos pertence, e a existência dos outros, de certa forma aproxima-se da divindade, aproxima-se duma beleza extrema inexplicável.
Um Ser perfeito só Deus, porque O desconhecemos! Nunca O vimos! A Sua omnipotência nunca nos surgiu pela frente.
Eu nunca O vi! Por isso deve ser perfeito! Imensamente perfeito!
Não percebo nada de doutrinas. Talvez, os que abraçaram a Teologia possam explicar mistérios e crenças que eu não consigo entender.
È por isso que me interrogo. È por isso que duvido. É por isso que não concebo a perfeição. É por isso que duvido de tudo. Tudo me suscita dúvidas. Me faz divagar. Forçar o pensamento e as ideias sem nunca concluir nada de jeito ou que pareça conclusivo e claro.

É! É, por isso!
Sabem o que penso?
Penso que não é perigoso pensar!
Perigoso é traduzir os pensamentos em que pensamos, em actos.
Actos bons e actos menos bons. Conhecedores e desconhecedores da vida.
Uma vida com sentido.
Porque tem que haver um sentido na vida? Ou, não?
Tornarmo-nos amigos da vida.
Penso que isso faz algum sentido!
Entregarmo-nos fervorosamente à vida! Dar voz à beleza dessa entrega.
Actuar com actos sinceros. Actos verdadeiros. Actos autênticos de bondade.
Isso, faz bem à vida que vivemos e fortalece a forma de pensar.
Fortalece os actos de vivermos uns com os outros, em plenitude!
E, é isso, que nos aproxima Dele.
Agora, a perfeição? A perfeição não existe!
Estou convicto!

Pena, “Texto desencantado não sei onde, pronto para deitar fora.” Outubro.2003.

Thursday, March 01, 2007

Poema para a minha mãe

Poema para a minha mãe:



Mãe:

Tu és o Sol que me aquece,
Os teus mimos
São a melhor coisa
Que me acontece.


Os teus olhos
Olham lindamente,
A tua boca,
Fala suavemente.


Milagres?? Não são só magia!!
São também saber perdoar.
E com muito amor, desculpar.


Joana Castro H
posted by Páginas Soltas Quinta-feira. Fevereiro.01, 2007

http://www.pgsoltas.blogspot.com/

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